Existem porém outras obras com História, embora muito alteradas, que merecem uma maior atenção por parte de quem quer conhecer melhor o lugar que habita ou o lugar que visita, fazendo estes parte da história local e tendo por certo mais a dizer sobre as gentes da terra do que quais quer outras de interesse nacional. Estas obras relacionam-se a um nível mais directo, com os habitantes desta freguesia, dado que na lembrança de cada um permanece o lugar onde crescem e onde a história do passado, ganham uma imagem concreta e com a qual essas pessoas se identificam.

Assim, se poderá dizer que o Património é então o que tem qualidade para o entendimento da vida cultural e física do Homem, bem como para a afirmação das comunidades. Estas obras de interesse local são a herança e a memória da comunidade, neste sentido proponho que se atente, também no património que tende a ser destruído ou esquecido por se tratar de construções menores e mais recentes, dai ter enquadrado neste capítulo as Alminhas situadas junto à Ponte de Vila Boa. Esta inserção neste capítulo tem toda uma lógica de que também estas "escrevem" a história e crenças de um povo, ou então ainda aqueles como é o caso da Casa de Fundo de Vila que por ser um edifício particular e hoje transformada em Casa de Turismo Rural, tende a ser esquecido e consigo morre parte da história da freguesia. É importante por isso que se registe, o que os locais e os seus monumentos têm para contar pois "seremos avaliados pelas gerações futuras justamente pela capacidade demonstrada na transmissão de referências."35. As imagens que herdamos e que povoam a nossa memória não devem ser apagadas com o risco de se perder a nossa identidade, uma vez que o Património e a Cultura são a expressão máxima de um povo.
A presença dos romanos na freguesia é atestada pela existência no Lugar de Cimo de Vila, de uma lagareta romana, esta está ainda hoje muito mal sinalizada, sendo difícil admirá-la até porque se situa no meio de um descampado, escondido pelo casario, a sua preservação deve-se ao mérito do proprietário que de quando em vez para que esta não fique esquecida pelo matagal, é limpa.
Trata-se de uma lagareta (torcularium) datada do séc. IV d.C. pelo contexto arqueológico. É constituída por três corpos, um sub-quadrangular para a pisa, outro circular para a prensa e um terceiro em posição inferior a eles ligados por canais para a recolha do líquido que seria muito provavelmente o vinho.
Durante os primeiros anos do domínio romano o vinho era exportado de Itália, mas a partir de 282 d.C., a vinha expandiu-se entre nós, adquirindo mesmo o direito a parcelas ocupadas inteiramente por ela - as vinea integra - da documentação notarial.
Esta consta de uma pia superior com um diâmetro de 1,10m por 0,745m. A segunda pia, em plano inferior, com o raio de 1m e a terminar num escoadouro de 20cm por 17cm de boca e um escavado de 9cm unida para poente por uma espécie de lagariça, com dados intermédios de 1,83m x 3m em vertical. Apresenta um cale semelhante ao escoadouro da prensa, com 43cm por 9cm de fundo. Este termina em pá de 21cm x 15cm de boca. A lagariça tem uma testa de 1,50m para o lado do canal.

